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O quadro psicopictografado de Ramatís

A imagem pela qual Ramatís foi imortalizado, deveras conhecida entre os seus admiradores, resultou de um quadro recebido por meio de psicopictografia mecânica (“pintura mediúnica”), através da médium Dinorah Azevedo de Simas Enéas na década de 50, no Rio de Janeiro, posteriormente presenteado ao médium Hercílio Maes.

Dona Dinorah, como ficou conhecida, era possuidora de singular mediunidade psicográfica, a maravilhosa faculdade de retratar, por influenciação psíquica, personagens do plano espiritual; para tanto, preparou-se durante dois anos, freqüentando o curso de pintura clássica na Escola Nacional de Belas Artes, onde mais tarde tornou-se professora.

Ao contrário da psicografia intuitiva, que faculta ao sensitivo receber, através de uma espécie de “fonação intracerebral”, as imagens que a entidade ou espírito do plano invisível lhe projeta na tela mental, pela via telepática, a autora do quadro de Ramatís, era médium psicógrafa “mecânica” em alto grau.

No momento em que a sua mão e braço eram envolvidos ou saturados de fluidos magnéticos, que os transformavam em instrumentos neutros ou passivos, desarticulados ou libertos do seu comando cerebral, à guisa de dócil “pincel”, ela então passava a desenhar retratos por captação mental, sentindo as radiações áuricas do espírito a lhe utilizar o equipo carnal para desenhar, às vezes tendo conhecimento, também, da presença da Entidade ou “modelo” a ser retratado, sem, no entanto, saber-lhe previamente a identidade.

Então, a mão dessa sensitiva ganhava tal autonomia de movimentos que, a um só tempo, enquanto deslizava sobre o papel ou tela, desenhando ou pintando, ela podia até mesmo entreter conversação com uma ou mais pessoas, abordando assuntos diversos do foco de atividade de sua mão, que atuava sob ação puramente mecânica, obedecendo à influenciação mental do espírito que a ancorava e dirigia, em conformidade com a “idéia” ou “plano” deste.

Curioso notar que Dona Dinorah não era médium vidente, não “via” previamente os espíritos para então lhes desenhar o retrato por meios próprios; embora o braço e a mão da médium ficassem libertos do seu comando cerebral, não deixavam de ser uma espécie de instrumentos perfeitos e afinados, em condições de corresponderem às exigências técnicas da execução por parte do “artista” invisível, conseqüência de seu prévio preparo e constante treino na arte do desenho.

Sobre o quadro retratando Ramatís, captado pela via mediúnica mecânica, assim se expressou o seu médium Hercílio Maes em depoimento, por carta, a José Fuzeira (revisor de suas primeiras obras), após tê-lo recebido:

“Recebi o retrato de Ramatís e confesso o meu assombro pela sua espantosa fidelidade. Não conheço Dona Dinorah, mas peço apresentar-lhe as minhas efusivas felicitações, pois, através da sua extraordinária mediunidade, ela conseguiu fixar Ramatís conforme, na minha infância, o vi materializado, e como ainda o vejo, de vez em quando, no plano Astral.

É tal a similitude da expressão da sua fisionomia, exuberante de paz e de bondade, que, ao contemplar seu retrato, meu espírito foi tomado por uma emoção de saudade intensa, que me propiciou, num instante, ser transportado ao momento inesquecível da primeira vez que ele me apareceu. Que Jesus abençoe essa irmã pela alegria espiritual que me proporcionou!”

 
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